05 setembro, 2009

Fallaste, corazón...




















Y tú, que te creías
el rey de todo el mundo;
y tú, que nunca fuiste
capaz de perdonar,
y cruel y despiadado
de todo te reías,
hoy imploras cariño,
aunque sea por piedad.

¿A dónde está tu orgullo,
a dónde está el coraje?
¿Por qué hoy, que estás vencido,
mendigas caridad?
Ya ves que no es lo mismo
amar que ser amado.
Hoy, que estás acabado,
¡qué lástima me das!

¡Maldito corazón!
Me alegro que ahora sufras,
que llores y te humilles
ante este gran amor.

La vida es la ruleta
en que apostamos todos
y a ti te había tocado
nomás la de ganar.
Pero hoy tu buena suerte
la espalda te ha volteado.
¡Fallaste, corazón!
No vuelvas a apostar.

Ángel Parra

06 junho, 2009

Fado Errado


Errei porque te amei a vida inteira
Sem nunca deste amor fazer alarde
Agora ando para aqui numa canseira
Pois não encontro a maneira
E para te deixar é tarde...

Se alguém me perguntar qual foi o erro
Direi que foi amar-te até mais não
Foi culpa deste amor a que me aferro
Com erro atrás de um erro
Há já erros sem perdão...

Assim que te escolhi, errei!
Por querer viver para ti, errei!
Calquei esta paixão
Esmaguei o coração
E se fiz bem ou não, não sei!

Segui o teu olhar, errei!
E quando quis voltarm errei!
Mas reparei depois
Que o erro era dos dois
E foi um erro a mais que eu encontrei

Foi erro aquele beijo prolongado
Que fez nascer em nós idéias loucas
Foi erro termos sempre a nosso lado
Um desejo acostumado
Ao calor das nossas bocas...

Foi erro aquelas juras que trocámos
Foi erro ainda maior não as quebrar
Depois de tantos erros que inventámos
Afinal ambos errámos
Pois só Deus não sabe errar...


Maria da Fé

27 setembro, 2008

A Idade de Ser Feliz



Existe somente uma idade para a gente ser feliz,

somente uma época na vida de casa pessoa

em que é possível sonhar e fazer planos

e ter energia bastante para realizá-los

a despeito de todas as dificuldades e obstáculos.

Uma só idade para a gente se encantar com a vida

e viver apaixonadamente

e desfrutar tudo com toda a intensidade

sem medo nem culpa de sentir prazer.

Fase dourada em que a gente pode criar e recriar a vida

à nossa própria imagem e semelhança

e vestir-se com todas as cores

e experimentar todos os sabores

e entregar-se a todos os amores

sem preconceito nem pudor.

Tempo de entusiasmo e coragem

em que todo o desafio é mais um convite à luta

que a gente enfrenta com toda a disposição de tentar algo NOVO,

de NOVO e de NOVO, e quantas vezes for preciso.

Essa idade tão fugaz na vida da gente

chama-se PRESENTE

e tem a duração do instante que passa...

Mário Quintana

18 setembro, 2008

Cartas de Amor


Quanto a mim, o amor passou

Eu só te peço que não faças como gente vulgar

E não me voltes a cara quando passo por ti

Nem tenhas de mim uma recordação em que entre o rancor.

Fiquemos um perante o outro

Como dois conhecidos desde a infância

Que se amaram um pouco quando meninos,

E, embora na vida adulta sigam outras afeições,

Conservam, no caminho da alma,

A memória do seu amor antigo e inútil...


Fernando Pessoa

14 setembro, 2008

Avesso Bíblico - Mia Couto


No início
já havia tudo.
Mas Deus era cego
e, perante tanto tudo,
o que ele viu foi o Nada.
Deus tocou a água
e acreditou ter criado o oceano.
Tocou o chão
e pensou que a terra nascia sob os seus pés.
E quando a si mesmo se tocou
ele se achou o centro do Universo.
E se julgou divino.
Estava criado o Homem.

14 junho, 2008

Tu e eu...






















Tu e eu
Andamos os dois aos segredos,
Só porque sim.
E enches a minha vida
Só porque respiras.
Mas que grande amor se explica?

O barco pára, largamos os remos
E damos as mãos um ao outro.
Fecho os olhos e como um retrato
O teu rosto aparece-me na alma.
Dizes que me amas,
Eu não digo nada.
Mas na tua voz ouve-se tão bem a minha.

Os remos caem na água
O barco faz o que a água quer.
Embalada nesta ondulação ténue
Eu descanso em ti.
E este momento contigo
Sem pressa nenhuma
É a minha maior felicidade.

Os remos já não estão perto,
O barco segue para não sei onde…
E eu sei que não quero mais ninguém
Comigo nesta viagem.


Sofia Vila Nova

02 junho, 2008


Devemos habituar-nos a isso: nas mais importantes encruzilhadas dos caminhos da nossa vida, não existe sinalização.


Ernest Hemingway

25 maio, 2008



















Minha garganta estranha quando não te vejo
Me vem um desejo doido de gritar
Minha garganta arranha a tinta e os azulejos
Do teu quarto, da cozinha, da sala de estar

Venho madrugada perturbar teu sono
Como um cão sem dono me ponho a ladrar
Atravesso o travesseiro, te reviro pelo avesso
Tua cabeça enlouqueço, faço ela rodar

Sei que não sou santa, às vezes vou na cara dura
Às vezes ajo com candura pra te conquistar
Mas não sou beata, me criei na rua
E não mudo minha postura só pra te agradar

Vim parar nessa cidade, por força da circunstância
Sou assim desde criança, me criei meio sem lar
Aprendi a me virar sozinha,
e se eu tô te dando linha é pra depois te abandonar


Música - Ana Carolina

24 maio, 2008

Para atravessar contigo o deserto do mundo...













Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade, para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei
Por ti deixei meu reino, meu segredo
Minha rápida noite, meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho, minha vida, minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso...
Cá fora, à luz sem véu do dia duro,
Sem os espelhos, vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo
Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen
Livro Sexto (1962)


25 abril, 2008

O amor, meu amor


Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.

Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.

E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.

E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda despida.

Pudesse eu ser tu
e em tua saudade ser a minha própria espera.

Mas eu deito-me em teu leito
quando apenas queria dormir em ti.

E sonho-te
quando ansiava ser um sonho teu.

E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.

Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.


Mia Couto

05 abril, 2008

Por outras palavras...



















Ninguém disse que o riso nos pertence
Ninguém prometeu nada
Fui eu que julguei que podia arrancar sempre
mais uma gargalhada...

E deixar-me devorar pelos sentidos
E rasgar-me do mais fundo que há em mim
Emaranhar-me no mundo
e morrer por ser preciso
Nunca por chegar ao fim...


Mafalda Veiga

08 março, 2008

Anyone else... but you...


You're a part time lover and a full time friend
The monkey on your back is the latest trend
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
I'll kiss you on the brain in the shadow of the train
I'll kiss you all starry eyed my body swingin' from side to side
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
Here is the church and here is the steeple
we sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
Pebbles forgive me, the trees forgive
So why can't you forgive me
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
I will find my niche in your car
With my mp3, dvd, rumble pack guitar
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
Up up down down left right left right b a start
Just because we use cheats doesn't mean we're not smart
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
You are always tryin' to keep it real
I'm in love with how you feel
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
We both have shiny happy fits of rage
You want more fans, I want more stage
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
Don quixote was a steel driving man
My name is adam I'm your biggest fan
I don't see what anyone can see in anyone else...but you
Squinched up your face and did a dance
Shook a little terd out of the bottom of your pants
I don't see what anyone can see in anyone else...but you...
(The Moldy Peaches)

24 fevereiro, 2008

Que diablos hago amandote?...




No quiero estar sin ti

Si tu no estas aqui me sobra el aire

No quiero estar asi

Si tu no estas la gente se hace nadie.


Si tu no estas aqui no se

Que diablos hago amandote?

Si tu no estas aqui sabrás

Que Dios no va a entender por que te vas...


No quiero estar sin ti

Si tu no estas aqui me falta el sueño

No quiero andar asi

Latiendo un corazón de amor sin dueño.


Si tu no estas aqui no se

Que diablos hago amandote?

Si tu no estas aqui sabrás

Que Dios no va a entender por que te vas...


Derramaré mis sueños si algún día no te tengo.

Lo mas grande se hara lo mas pequeño

Pasearé en un cielo sin estrellas esta vez

Tratando de entender quien hizo

Un infierno el paraíso

No te vayas nunca porque.....


No puedo estar sin ti

Si tu no estás aqui me quema el aire.

Si tu no estás aqui no se...

Que diablos hago amandote?


Si tu no estas aqui sabrás

Que Dios no va a entender por que te vas...



Rosana

17 fevereiro, 2008

Eternity...








Ensina-me, eu te peço,

que a vida é eterna

O amor imortal

E a morte é apenas horizonte...

E um horizonte não é mais

que o limite da nossa visão...

(Rossiter Worthington Raymond)

30 janeiro, 2008

Lembrança Alada



Em alguma vida fui ave.

Guardo memória

de paisagens espraiadas

e de escarpas em voo rasante.

E sinto em meus pés

o consolo de um pouso soberano

na mais alta copa da floresta.

Liga-me à terra

uma nuvem e seu desleixo de brancura.

Vivo a golpes

com coração de asa

e tombo como um relâmpago

faminto de terra.

Guardo a pluma

que resta dentro do peito

como um homem guarda o seu nome

no travesseiro do tempo.

Em alguma ave fui vida.

Mia Couto

18 dezembro, 2007

Feels like home...

Agora, todos os dias são assim. Tenho um desejo insano de chegar a casa, tirar a maquilhagem da cara, descalçar os sapatos e procurar o silêncio que não existe na minha vida profissional. Um desejo absurdo que às vezes é tão intenso que quase me dói fisicamente. As horas passam, depois de um compromisso vem outro. E mais outro. Depois de uma tarefa há sempre qualquer coisa que se não for cumprida porá em risco o trabalho de outras pessoas. E, por fim, já é possível fugir e procurar abrigo.
No carro, imagino a sensação de plenitude que me dará o facto de ter a cintura liberta para uma calças largas, o toque macio de um pijama, a alegria simples de meter o corpo cansado no duche. Corro para casa para executar o plano. A tinta sai, os sapatos saltam, a roupa da rua fica abandonada na cadeira do quarto.
Com a cara limpa, o corpo esfregado e a alma sôfrega procuro o derradeiro elemento, essencial para restabelecer o meu equilíbrio.


Júlia Pinheiro, in Revista Máxima

17 dezembro, 2007

Percurso



Viajaste
sob árvores sem sombra.

Pisaste
a carne da pedra,
rasgaste
o fio da água.

E aprendeste:
o teu gesto
não é destinado a ter dimensão.

Agora, sabes:
teus braços foram feitos
para abraçar horizontes.

És maior que o voo do sono.
E voltas a ser nada
quando infinito te pensas.


Mia Couto



11 dezembro, 2007

Canção contra o destino


Se é para morrer

quero morrer muitas vezes,

mais do que as que soube ter vivido

e fui eterno sem o saber.

Se é para morrer

morrerei tantas vezes

que entre corpo e tempo

minha alma perderá caminho.

E morrerei

de tudo, em cada instante.

Morrerei até de ser árvore,

renascendo em estação

para além do tempo, para além da luz.

Se é para morrer

que seja de amor:

tanto e sempre

que não será derradeira a última vez.

Mia Couto

Um Amor Atrevido


Sabes que é só quereres. Que, entre os silêncios e as palavras meias, basta uma destas, calibrada para a rendição e o assentimento. Que é mais do que suficiente, o exagerares o riso ou o alargares o passo na minha direcção. Uma carta à maneira antiga empertigada num selo; um telefonema, uma mensagem abreviada em que os polegares se te fugiram e foste longe de mais. Sabes que me chega e sobra, um abraço que evites apertado ou um beijo na cara a resvalar para a boca, embalando-me os sentidos atentos com promessas cumpríveis. É só quereres, e eu caio-te nos braços com amplitude teatral, deixando que me dissolvas a pele com a língua e que a tua vontade impere por fim em mim numa fúria totalitária, mas doce. Sabes que uma palavra, apenas, me serve, ainda que desgarrada, truncada, encriptada e incorrecta; ou mesmo fugitiva e vagabunda, solta num grito de alforria. Espero um dia ser um alegre capricho teu e o objecto da tua preferência irresponsável, sujeita a critérios desmedidos. O meu desejo é circular e redundante: acaba sempre por voltar a casa e tem saudades, como um soldado ferido. É só quereres, e deixarei que me confundas com o rebentar das ondas e que contabilizes e anotes, com astúcia de merceeiro e intuitos de salva-vidas, os rodopios do meu corpo em despejo sobre o teu. Eu, vinda e ida na sétima, às vezes na quadragésima, encharcando-te, desprevenido. É só quereres (sabes). E eu quero que tu o queiras (sabê-lo-ás?).



In http://www.umamoratrevido.blogspot.com/


08 dezembro, 2007

Sem depois



Todas as vidas gastei

para morrer contigo.

E agora

esfumou-se o tempo

e perdi o teu passo

para além da curva do rio.

Rasguei as cartas.

Em vão: o papel estava intacto.

Só os meus dedos murcharam, decepados.

Queimei as fotos.

Em vão: as imagens restaram incólumes

e só os meus olhos

se desfizeram, redondas cinzas.

Com que roupa

vestirei minha alma

agora que já não há domingos?

Quero morrer, não consigo.

Depois de te viver

não há poente

nem o enfim de um fim.

Todas as mortes gastei

para viver contigo.


Mia Couto